Uma mudança de cenário dá a Night Manager uma atmosfera diferente, que pode ou não ser bem recebida pelos fãs que esperam mais Le Carré e menos Fleming. Mas ainda há muito o que gostar.
Night Manager nunca foi uma série particularmente carregada de atmosfera, a menos, é claro, que as atmosferas que você procura sejam bem intensas e realistas. Mas a segunda temporada evidentemente disse: “Que se dane”, e no segundo episódio ela segue a linha completa de James Bond, com locações estilosas, belas mulheres fatais e credibilidade sendo uma preocupação extremamente secundária. Depois deuma estreia relativamente fiel à marca,
isso é uma grande surpresa, embora eu suponha que se será bem-vinda ou não dependerá do que você espera de uma série como essa em primeiro lugar.
É desnecessário dizer que Pine sobreviveu à explosão do hotel que encerrou a estreia, embora todos os outros, incluindo Mayra e o resto da corrupta River House, acreditem que ele esteja morto. Isso permite que Pine se conecte secretamente com Sally, a única integrante de sua antiga equipe dos Night Owls ainda viva. Ela se torna sua contraparte à la Q, alguém que o ajudará nos bastidores e o conectará com identidades falsas e histórias de cobertura. E esse é o principal gancho deste episódio, que transporta Pine para a Colômbia, fingindo ser outra pessoa.
Um Homem Completamente Novo
A nova identidade de Pine é a de filho de um banqueiro de investimentos de Norfolk que passou os últimos anos trabalhando para um banco suíço em Hong Kong. Ele partiu em circunstâncias misteriosas — ou assim diz a história — para buscar novas oportunidades de investimento na Colômbia. Ele gosta de beber, é propenso a correr riscos e imediatamente conquista a simpatia de Teddy Dos Santos, que ganha muito mais tempo de tela neste episódio.
Isso serve basicamente como desculpa para Tom Hiddleston imitar James Bond. Há alguns aspectos que não soam muito verdadeiros (como Sally, da classe trabalhadora, dizendo para ele não usar meias com mocassins, por exemplo), mas isso não importa muito, já que o importante é a atmosfera geral. Isso fica bem claro em um evento beneficente chique, onde Pine esbarra em, quem mais? – Roxana, que por acaso é a namorada favorita de Teddy, apesar de afirmar no episódio de estreia que não o conhece. Ops.
Um Triângulo Amoroso
Sem uma opção romântica óbvia para Pine, como a personagem de Elizabeth Debicki tinha na primeira temporada, a segunda temporada oferece duas, uma delas bem inusitada. Mas eu não posso ser o único que acha que existe uma química sexual bem óbvia entre Pine e Teddy, posso? E, claro, rola bastante coisa entre Pine e Roxana. A escolha de Camila Morrone para o papel se mostrou bastante inspirada, porque se você quer alguém convincente como o tipo de mulher deslumbrante pela qual um traficante internacional de armas e um agente secreto em apuros brigariam, você pode muito bem começar a folhear a lista de filmes de Leonardo DiCaprio.
Não tenho certeza para onde tudo isso vai dar romanticamente, mas estou convencido de que não estou imaginando coisas. A cena final (falarei mais sobre isso daqui a pouco) tem um ar de súplica muito perceptível, como se Pine percebesse naquele momento que tudo o que ela realmente quer na vida é o criminoso bonito e bem-vestido que ela deveria estar perseguindo. “Me faça ficar limpa”, de fato. A Conexão James Bond Continuo mencionando Bond, o que parece inadequado para uma série que historicamente abraçou o material original de John le Carré em vez de se aventurar no universo de uma história de espionagem mais à la Fleming. Mas o episódio 2 de
The Night Manager
A segunda temporada não só evoca Bond com o disfarce elegante de Pine e seu potencial namorado irresistível, como também retoma algumas sequências e ideias reconhecíveis do passado recente da franquia.
Novamente, talvez seja só impressão minha, mas há uma inegável vibe de Javier Bardem. caindo do céu
vilão para Teddy (e, para não esquecermos, isso também tinha um tom homoerótico). Algumas conversas (interrogatórios na prática) lembram muito aquele filme. E então há o clímax em que Teddy tenta descobrir o que Pine está realmente tramando, entregando-lhe um caminhão cheio de cocaína e champanhe com álcool, o que lembra um pouco a cena do envenenamento de
